terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Turbantes Coloridos: Diversas Tribos, Uma Unica Sangha

Para quem não sabe, professores e praticantes de kundalini yoga usam turbantes ou cobrem as cabeças pois o principal foco dessa tecnologia e trazer a energia dos chakras inferiores para os superiores, fazendo com que a energia sutil desperte o seu Ser. O uso do turbante faz com que as temporas sejam pressionadas, estimulando a glândula pituitaria e consequentemente o sexto chakra localizado entre as sobrancelhas. De preferencia, o turbante deve ser branco para captar e concentrar mais energia.
Apesar de gostar e respeitar o branco nas vestimentas como uma professora de kundalini yoga, cores sempre fizeram parte da mim. Tanto na minha casa, como no meu consultório, quanto nas minhas roupas, e nos meus turbantes durante as aulas.
Talvez as cores definam minha integracao com o mundo. Gosto de ver o mundo colorido apreciando as diferenças e a individualidade de cada pessoa. Dificilmente enxergo o mundo preto e branco, antes devido a minha condicao de terapeuta e hoje muito mais com a yoga, afinal todos os pontos de vista são bem vindos, não existe certo ou errado, preto ou branco, e sim vários tons de cores.
A kundalini yoga representa para mim uma das cores mais lindas do arco-iris. E ela que me eleva, que me faz conectar com a energia sutil do Ser, e me leva para o estado de profundo "bliss", como um "natural high" ou êxtase, cada dia mais agradecida pela vida e por existir… Sim, profundo! Mas ela não e o único caminho, ou talvez eu precise de outras cores para completar meu eu.
Pratico todos os tipos de yoga, afinal yoga e yoga. Você terá os mesmo beneficios, talvez em níveis diferentes, mas os mesmos! Adoro a fluidez do Vinyasa, o alinhamento do Iyengar, o relaxamento do Nidra… Entoar os mantras védicos me faz conectar com a energia sutil também. E as diferentes meditacoes me faz experienciar inumeros beneficios.
E assim, em constante movimento transitando em "diferentes yogas", transito em diferentes situacoes na minha vida: obstáculos e conquistas, perdas e ganhos, alegrias e tristezas. Transito nas inúmeras personagens do meu ser: a professora de yoga, a praticante, a psicologa desportiva, a esportista, a mulher, filha….. Circulo em qualquer local, seja no boteco ou na festa "high society"… Tenho amigos de vários jeitos e varias tribos.
Sem personalidade? Não, apenas não me identifico com o unico. Sou curiosa e aventureira por natureza.


Há anos que a yoga faz parte da minha vida e por isso acabei me relacionando com muitas pessoas desse circulo. Adoro circular entre as diferentes tribos da yoga. Pessoas que conheci em retiros, viagens de peregrinacao, cursos… são tantas pessoas queridas que as vezes não nos falamos com frequência mas sinto a presença de todos muito intensamente.
Alguns dias atrás conclui mais um curso de formacao que durou o ano todo. Não tem como essas pessoas do curso não serem importantes. Investigamos juntos. Crescemos juntos. Choramos e rimos juntos. Não são apenas amigos, e uma forca sagrada que nos une.
E uma bencao tao grande, que ao mesmo tempo que essa sangha revive o ultimo encontro com fotos no Facebook, a sangha da Índia do ano passado agita um encontro, a sangha da Índia do ano retrasado posta fotos saudosas da viagem que parece ter ocorrido poucos dias atrás e a sangha da kundalini organiza o encontro para estudo..

Outro dia no satsang do Marco Schultz, encontrei duas amigas mitras que conheci há 2 anos atrás na Índia, e que não via desde então. O contexto do satsang requer silencio, e foi no nobre silencio em nos que percebemos que o encontro não precisava de palavras… Os olhares, os abraços e as lagrimas disseram tudo!


Ek Ong Kar… somos todos UM! Parece não haver tempo e espaço ou diferença alguma com uma conexão tao linda como essa. Honro todos aqueles que de alguma maneira fazem parte da minha vida, com profunda gratidão, pois sou uma extensão de cada um. Ate mesmo aqueles que por algum motivo me desafiaram. Talvez sou ate mais grata a esses do que aqueles que me fazem sorrir. Afinal, aprendi, amadureci e evolui. Sou sim, abençoada e agradecida por tantas cores que fazem da minha vida... um arco-iris repleto de potes de ouro!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Relacionamentos Autênticos

 "Relacionamentos Autênticos" e o tema de um dos módulos do curso de aprofundamento para professores de kundalini yoga, no qual eu passei uma semana de imersão no ashram Prana Prana da querida mestra Subagh Kaur localizado nas reservas florestais da Serra da Cantareira.
Você deve estar perguntando o que seria "relacionamentos autênticos"?
Para 1 semana de curso afirmo que e um assunto profundo e complexo, por isso não me estenderei a nomear e discutir todos os conceitos.
Uma coisa e certa, parece que necessitamos de relacoes para nossa sobrevivencia. Desde a dependência dos primeiros anos de vida com uma figura materna, ate o fim das nossas vidas com diferentes pessoas e formas de se relacionar. O relacionamento faz com que nos conhecemos gracas a essa interacao. E como um espelho que e refletido o melhor de você e também o pior de você, sua sombra.
A autenticidade vem de uma certa consciência necessária para você estar inteiro, presente naquela relacao. Se temos consciência sabemos exatamente o que somos e o que projetamos na interacao com o outro por exemplo. Por isso, se relacionar com o outro sem nem ao menos se relacionar consigo mesmo e como andar na escuridão; você tropeça, cai sem saber por que, e acaba acusando sem ao menos enchergar. A auto-investigacao ou o auto-conhecimento, e fundamental para obter um relacionamento autentico com você e consequentemente com os outros.
Relacionamentos amorosos cada dia que passa esta menos autênticos na minha opinião. Ninguém mais tem paciência de se relacionar com o outro justamente porque não tem uma solida conexão consigo mesmo. A maioria esta tao presa ao ego que o discurso se torna: "o que eu quero no outro para me fazer feliz". Não! Relacionamentos não estão em prateleiras do supermercado e muito menos e para você. Adorei o blog de um americano que dizia "Marriage is not for you" (casamento não e para você). Não e mesmo. Casamento ou qualquer relacionamento e a respeito do outro e não de você. O carinho e o amor são doados, portanto nada fica para você, e sim para o outro.
E claro que a posse ou o controle acontece em uma relacao simplesmente porque são pessoas carentes de amor. E este amor eu classifico como amor menor, ou amor egoico. Relacionamentos autênticos e também a conexão que você tem com o Amor Maior, seja ele Deus, o Universo, a Natureza, ou qualquer forca maior que faz você inspirar todos os milésimos de segundos e que te inspira a viver.
Se não tivermos essa consciência dessa Forca e o que somos, fatalmente teremos dificuldades em nossas relacoes externas.
Somos também energia e temos um lado masculino e feminino. As mulheres por exemplo possuem 60% de energia feminina e 40% masculina. A energia feminina e a criatividade, a sensibilidade, a intuicao, a graciosidade e a capacidade de cuidar. A energia masculina e o racional, o estável, o guerreiro, e que esta sempre em acao. Ambos, homens e mulheres possuem todas essas caracteristicas, mas em diferentes níveis de intensidade. Portanto, a mulher 'e insegura por sua natureza e por isso que ela precisa de uma certa segurança da estabilidade masculina. O homem e como a haste de uma planta que da suporte, segurança, para os troncos crescerem, surgirem folhas, movimento e ate florirem. A mulher necessita dessa estabilidade para circular, intuir, criar.
Nos dias de hoje, os papeis masculinos e femininos estão confusos. Acredito que muitas mulheres estão oprimindo sua energia feminina com tantos deveres e acoes da energia masculina. E muitos homens não conseguem colocar segurança e ter acao de provedor. Não há nada de errado, as mulheres serem independentes, guerreiras, provedoras. Sou ate uma delas. O que me preocupa e se o lado criativo, intuitivo e os cuidados da mulher não esta sendo oprimidos com as exigências sociais de uma mulher moderna. E necessário um equilíbrio energético por isso tanto os homens quanto as mulheres precisam estar atentos a essas distribuicoes de energia.
Confesso que quando escuto as conversas de academia, conhecidos, pacientes, fico pensado em quantos tipos de relacionamentos existem por ai. Poucos são os autênticos.
No curso, Subagh nos presenteou com as estorias dos casamentos da religião Sikh, onde ate mesmo o sexo era com data marcada mesmo com anos de casamento. Dias de preparacao e horas de amor… Nem sei como definir sexo na nossa sociedade nos dias atuais.
Independente da cultura Sikh, fazer amor ou relacionar-se e estar por inteiro, na Presença, no aqui- agora, consciente do Amor que e você e reconhecendo o Amor no outro... doar-se na entrega do mistério como você confia que a cada expiracao vem uma inspiracao. O ego, o querer, as expectativas ficam pequenas quando você descobre o que e Amor…
Portanto relacionamento autentico, nada mais e do que Prem, o Verdadeiro Amor.




sábado, 9 de novembro de 2013

O Silencio


Desde criança o silencio me instigava. Talvez porque tinha problemas com palavras. Nunca conseguia (e talvez ate hoje não consigo) descrever exatamente o que passa dentro de mim.  Minhas brincadeiras era adivinhar o que as outras pessoas pensavam e pedia para meus irmãos adivinhassem o que eu estava pensando naquele momento, um ensaio de uma comunicacao por telepatia. Cresci ouvindo Rita Lee e ficava imaginando o que seria "fazer amor por telepatia" na minha cancao favorita de "Mania de Você". Introvertida e tímida na minha infância, relutei por um tempo a minha voz. Gostava de observar, sentir, e ouvir muito mais do que falar. Claro que a fala e tao importante quanto, mas sempre achei que havia um certo exagero, ou "barulho" no mundo. Achava que as pessoas falavam demais, que "enrolavam" muito mais do que se comunicavam. Fui aprendendo a "enrolar" na adolescencia, e me tornei mestra nas mais longas e detalhadas estorias para as minhas amigas intimas… E assim quando crescemos vamos perdendo o nosso grande mestre, nosso Eu.
Com o tempo, a yoga e a meditacao foi me ensinando a resgatar, compreender e aperfeiçoar o silencio. Afinal, pensamos que estar em silencio e apenas ficar calado e não damos conta aos "barulhos" internos da nossa mente. As vezes o barulho interno e maior que o externo e falhamos achando que estamos em silencio. Enquanto houver turbilhoes de pensamentos, nunca estaremos em silencio.
Na kundalini yoga, a maior parte das meditacoes utilizamos mantras, ate porque necessitamos dessa comunicacao entre mente e coracao através da fala. O mantra serve também para focar a mente, e a maneira mais simples e eficaz de não desperdiçarmos energia pensando em varias coisas ao mesmo tempo. Com a pratica, o silencio pós meditacao se torna o momento talvez mais importante para alcançar "shunia", ou seja, uma mente neutra, vazia e sem pensamentos, pois a mente foi condicionada a cada vez menos produzir pensamentos com o mantra e entrar em contato com algo maior do que seu ego.
Com ensinamentos do meu irmão budista fui aprendendo a meditar em silencio sem os mantras. Este ano no curso do Marco Schultz também. Fiz um compromisso comigo mesma de implementar o silencio nas minhas meditacoes diárias. E ate mesmo apos o retiro de silencio algumas semanas atrás, sinto necessidade da meditacao mais vezes ao dia.
O caminho para o silencio na realidade não importa. São vários caminhos para o mesmo lugar. Seja através de diversos tipos de meditacao, seja contemplando a natureza ou qualquer outra forma de amor e entrega.
Talvez a sensacao da infância de não conseguir me expressar, seja da tamanha grandeza e de um certo mistério que nos cerca. As palavras ficam pequenas em contato com o silencio verdadeiro.
O silencio para mim e um encontro. Quando você não se identifica mais com seu ego, com seus pensamentos, você passa a se conectar com algo maior do que você. Da mesma forma que você observa e contempla a natureza, existe um mistério ali que silencia, que basta. E posso dizer que a vida fica tao mais iluminada através do silencio ate mesmo nas suas relações cotidianas. Um olhar, um sorriso, um gesto, um toque comungando o silencio que existe em nos, na presença, no aqui-agora...



 "Vem. Conversemos através da alma. Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos. Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa. Entendamos-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios. Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo, como faria o intelecto divino. Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender se escutam palavras e veêm rostos. Ninguém fala para si mesmo em voz alta. Já que todos somos um, falemos desse outro modo. Como podes dizer à tua mão : "toca", se todas as mãos são uma? Vem, conversemos assim. Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma. Fechemos pois a boca e conversemos através da alma. Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo. Vem, se te interessas, posso mostrar-te" ... "Na verdade, somos uma só alma, tu e eu, Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti, Eis aqui o sentido profundo da minha relação contigo Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu..." (Rumi)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Curso de Formacao e Aprofundamento em Yoga e Meditacao com Marco Schultz

Apos viajar para Índia em 2012 com o Marco, participar de seus retiros e satsangs, decidi que em 2013 faria seu curso de formacao e aprofundamento no Yoga.
Escolhi a opcao do curso extensivo, ano todo, com encontros no ultimo final de semana de cada mês.
O curso foi imensamente rico com as aulas praticas e teóricas. Vários convidados, e um mais especial que o outro. 
A intencao do curso como o nome diz, não era apenas conhecer o lado físico nos asanas do yoga, mas também entender o que realmente 'e o Yoga. O curso foi integrando diferentes religiões, abordagens terapêuticas, astrologia... e ao mesmo tempo a relacao dessa integracao com o nosso Ser através de reflexões sobre o auto-conhecimento.
A cada encontro e a cada retiro a turma se expandia e se unia em sangha. Foi lindo e muito especial sentir essa transicao de individuo para o "nos" como todo.
O retiro de 1 semana na metade do curso do extensivo e a na conclusão do curso intensivo foi realizado na Montanha Encantada em Garopaba. A união da sangha de Floripa e a de São Paulo na imersão de um retiro naquele lugar abençoado junto aos ensinamentos de convidados fantásticos foi certamente um marco, ou um divisor de aguas para todos nos.
No segundo semestre me comprometi aos retiros e consegui estender minhas meditacoes diárias na minha rotina. Como mudei de trabalho, tudo conspirou para uma melhor fluidez e entrega. A qualidade do meu sadhana e do meu dia mudaram não só porque tinha mais tempo, mas como o curso proporcionava insights para o auto-conhecimento, passei a trabalhar mais metas nas questões praticas do meu ser.
Alem do retiro da Montanha Encantada, o retiro "Destino e Livre Arbítrio" da querida astróloga e professora de yoga Fernanda Zanini, e o retiro do silencio do Marco foram preciosos para mais insights.
Foram dias intensos e profundos na investigacao do ser com a Fernanda, e dias de reflexões e muita meditacao com o Marco. Como os retiros foram muito próximos um do outro, fui convidada para uma imersão de profundo auto-conhecimento e a pureza da magia do silencio.
Mais um ano abençoado, com muitos ensinamentos, conhecendo pessoas incríveis, trabalhando não para uma pessoa melhor, mas deixando cada vez mais cair todas as mascaras que aprisionam meu verdadeiro EU!
Não tenho palavras para expressar minha gratidão ao Marco, aos assistentes, a sangha, e ate a mim mesma, honrando a personagem nessa aventura.
A peregrina continua seu caminhar ainda mais cheia de Amor e Gratidão...
Segue...
Namaste!
http://www.mauriciobastos.art.br



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um Novo Despertar

Desde qdo me tornei professora de yoga vi o quanto de psicologia poderia ser trabalhada em cada asana (postura) e o quanto a yoga se torna um instrumento de superação de inúmeras manifestações psicológicas, tanto lidar com um obstáculo, quanto lidar com suas próprias emoções, como o medo ou a ansiedade por exemplo. 

Acredito que a dança, a yoga, o esporte, são veículos para o auto-conhecimento, pois nao e a toa que estamos sempre , tanto físicamente como mentalmente, em movimento. E e essa movimentacao que influencia nas nossas vidas. O alerta esta qdo nao prestamos atencao em como nos movimentamos. Um atleta ansioso demais, tera sua respiracao alterada e os movimentos do corpo restritas, o que nao facilitara na sua performance. Quando respiramos conscientes, respeitando nosso corpo e com nossa mente no aqui e agora, tudo flui! Esta tudo ligado (Tadasti). E a yoga como o proprio nome diz, e a união, integração. A yoga nao e religião nem atividade física, simplesmente uma maneira de você viver no seu maior potencial com harmonia.


E por isso que venho desenvolvendo um novo trabalho durante ha algum tempo com, agora meu socio, Luis Turisco. Acreditamos no bem-estar do atleta. Na psicologia desportiva referimos a mente totalmente focada aquela que entra no que os americanos chamam "the zone". Uma zona de plenitude onde tudo flui sem esforco, isto e, um estado meditativo onde nao ha ocilacoes de pensamentos. Entao concluimos que para atingir este estado de alta performance, e preciso estar bem com seu fisico satisfeito com seu treinamento; seu mental sem conflitos com seus pensamentos, ou seja, no aqui-agora; e com sua alma, se nutrindo de fe. 

Quando este tripe esta equilibrado o atleta ou qualquer pessoa faz com que sua vida fique equilibrada, pois a pessoa tem consciencia de que e o grande responsavel. O mundo e apenas o reflexo de como agimos. Nao tem como reclamar ou acusar o outro quando o tripe esta em equilibrio, e e por isso que tudo flui.

Adivinha quem e o nosso maior inimigo? Pois e, nos mesmos! Nos sabotamos, acreditamos nos nossos pensamentos, ficamos com duvida, medo, ansiosos, depressivos... e ainda a culpa e do mundo que esta nos deixando assim... e assim vai... uma bola de neve de acoes e reacoes...

Sabemos entao que estamos sempre em movimento. Sem movimento estaremos mortos. Entao o que e preciso e saber conduzir esse movimento durante todos os dias de nossas vidas... saber dancar nao apenas com seu corpo mas com seus pensamentos, dedicar a danca cantando para seu Deus, e sorrir de agradecimento pelo ser que voce e nesse momento...


domingo, 12 de maio de 2013

Maha Kumbh Mela 2013

O Kumbh Mela (de khumb, "pote" e mela, "festival") é o principal festival do hinduísmo, que ocorre quatro vezes a cada doze anos na Índia, rodando por quatro cidades: Allahabad, Ujjain, Nasik e Haridwar. Cada ciclo de doze anos inclui o Maha Kumbh Mela (maha = maior) em Allahabad, onde milhões de devotos hindus se reúnem para se banhar no Sangam, local de encontro dos rios sagrados Ganges, Yamuna e Saraswati para se purificar, naquele que é o maior festival religioso do mundo.

O Khumbh Mela se baseia numa lenda na qual deuses e demônios entraram em guerra por causa de um pote que continha o néctar da imortalidade. Algumas gotas do néctar caíram em quatro cidades na Índia: Allahabad, Ujjain, Nasik e Haridwar, onde o Khumbh Mela acontece sucessivamente a cada três anos.



Segundo a cosmologia hindu, o rio Ganges tem origem nos céus. Este grande festival que ocorre ao redor do Ganges, é uma celebração da criação. Segundo uma fábula, os deuses e os demônios lutavam pela "kumbh" (jarra, pote), onde se encontrava o "amrit" (néctar), criado pelo "sagar manthan" (o escumar dos oceanos). Jayant, filho de Indra, escapou com a kumbh e por 12 dias consecutivos (12 anos para a humanidade) os demônios lutaram contra os deuses pela posse da jarra. Finalmente, venceram os deuses, beberam o "amrit" e alcançaram a imortalidade.
Durante a batalha pela posse da "kumbh", quatro gotas de "amrit" caíram na terra, em Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain, as quatro cidades onde o festival da Kumbh Mela tem lugar. Até hoje, a cada 12 anos, cada uma dessas cidades é sede da mela.

Os dias dos banhos auspiciosos e mais importantes do Kumbh são calculados na astrologia de acordo com a posicao do sol, da lua e Júpiter.

Fiquei 10 dias em Allahabad no acampamento do Prem Baba. Foi uma feliz "coincidencia" pois estava curiosa por conhecer mais sobre esse guru brasileiro que vive parte na Índia, parte no Brasil, expandindo sua luz e seus ensinamentos através de seus satsangs. Acabei me separando do grupo californiano o qual tinha me inscrito para me aventurar nos dias do Kumbh ao lado de brasileiros incríveis que acabaram se tornando queridos amigos. Nestes dois anos de Índia, com certeza, um dos maiores presentes foram as preciosas amizades!



Todos os dias saiamos do acampamento e caminhávamos durante o dia todo visitando os acampamentos dos mais diferentes sadhus. Os sadhus são como monges andarilhos, que fazem votos de desapego, renunciam de bens materiais e se dedicam a vida espiritual. São conhecidos como "babas" e são famosos praticantes de yoga. No seu foco pela iluminacao, eles fazem diferentes votos. Os naga sadhus abdicam-se de qualquer vestimenta e andam nus com o corpo coberto de cinzas. Alguns sadhus jejuam por longos períodos de tempo, outros não sentam ou deitam, outros erguem o braco e vivem com o braco levantado como e o caso do famoso baba Amar Barati que abandonou sua família e todos seus bens para devocao de Shiva. Há mais de 30 anos tem seu braco levantado por manifesto de paz. Sofreu dores absurdas ate seu braco perder sua funcao e ficar atrofiado e preso em uma posicao semi vertical.



Tive o privilegio de conversar com alguns sadhus. Muitos deles homens extremamente cultos e sábios. Foram desde ensinamentos de yoga e pranayama a conversas profundas. Uma tarde marcante foi na escadaria do rio Yamuna que um Baba lindo, um verdadeiro "Lorde", sentou-se ao meu lado e dos meus amigos e ficamos horas e horas ouvindo, contemplando, meditando, sentindo a Presença em todos nos. Ao entardecer, assistimos ao ritual do fogo, conhecido como Aarti a beira do rio, e ele não só nos acompanhou como nos ensinou os mantras e só depois do termino do ritual seguiu de volta ao seu acampamento.





Presenciamos o primeiro dia da lua cheia de janeiro onde teria um dos auspiciosos banhos nos encontros dos rios sagrados. Ao amanhecer assistimos ao ritual e depois nos banhamos na juncão dos rios. Foi muito emocionante pois não tem como não entrar na mesma sintonia de entrega e devocao e realmente sentir-se abençoada.


Foram dias de preces, muitas preces. Confesso que era difícil de dormir não pelo frio mas pela energia daquele lugar. Eram alto falantes espalhados por todos os acampamentos com os sons dos mantras dia e noite sem parar, e faziam com que ficássemos embriagados naquela energia de puro amor e devocao. Dificil foi voltar... 










segunda-feira, 22 de abril de 2013

Amritsar- Golden Temple

Passei 1 ano contando os dias para regressar a terra sagrada... Apos visitar algumas regiões da Índia no ano passado, ficou faltando um lugar muito especial cheia de significados para mim, a terra dos Siks, da Kundalini Yoga, de Yogi Bhajan... Amritsar.
Desta vez estava sozinha, uma amiga que iria comigo fez outros planos e acabou deixando a Índia apos alguns dias. Sempre ouvi falar que ou você ama ou odeia a Índia. Eu acredito alem, que a Índia "chama" quem esta pronto a senti-la, cheira-la, experimenta-la. A Índia e para poucos. Poucos são capazes de compreende-la.
Foi uma emocao muito grande chegar a Amritsar, alem de encarar a Índia com meus próprios pés. Cheguei ao entardecer, com um por do sol maravilhoso, caracteristico pelas diversas cores e profundidade. Foi uma emocao reconectar com aquela energia, cores vibrantes, barulhos de buzinas de tuc tuc misturadas com os cantos de diversos mantras, e claro aquele cheiro forte das especiarias indianas.
A noite fui ao templo dourado, o Golden Temple. Este e o maior templo dos Sikhs na Índia. Estava muito frio, e com os pés descalços andei no mármore gelado em torno do templo. O templo estava todo iluminado e o lago ao seu redor refletia todo aquele ouro. Nunca vi algo tao lindo. Em todos os cantos externos tinham auto-falantes emanando as vibracoes dos cantos sagrados do JapJi que acontecia dentro do templo pelos mais renomados Sikhs. O livro sagrado e cantado 24h por dia. Os Sikhs se revezam e não deixam de emanar a mais vibrante energia.
Andei aos redores, entrei no templo, assisti a cerimonia, meditei, meditei, meditei... Embriagada naquela energia passei a madrugada inteira ali... Esqueci da hora, esqueci do frio, esqueci de tudo. Lagrimas percorriam meu rosto sem parar, com profundo Amor e Gratidão.
Os Siks são conhecidos por integrar e aceitar todas as religiões e culturas. Como forma de amor, servir e muito importante. A limpeza do templo e impecável e comida e oferecida na saída do templo para todos os visitantes. Não tem como não encher seu coracao de tanto Amor e reconhecer o Divino em cada um de nos.
Voltei para o hotel ao nascer do sol, melhor "balada" da minha vida!! rs...
Fiquei 5 dias em Amritsar e horas e horas por dia no templo. Consegui visitar a fronteira com o Paquistão e visitar os templos hindus de Durga e Hanuman também.
Conhecer mais a fundo a cultura Sikh e vivenciar tudo o que os meus gurus californianos diziam, foi uma experiência única. Me senti aquela criança que fantasiou o tempo todo em ver o Mickey e chega na Disney pela primeira vez.
E a viagem continuava, afinal o maior festival indiano estava por vir... Kumbh Mela!!